segunda-feira, 5 de maio de 2008

Sermão da Montanha, tão antigo, tão atual!

por Erison Palma

Ao rever com muita tranqüilidade o sermão da montanha, quando Cristo coloca seu pensamento em relação à necessidade do desapego às riquezas materiais, vem também a preocupação válida, de como nós, nos dias de hoje, podemos conviver com esse desapego sem colocar em risco nossa estabilidade e das pessoas a quem amamos. Será válido nos preocuparmos em guardar dinheiro, adquirir bens sem com isso fugir dos preceitos do Cristianismo? A resposta vem de forma bela e simbólica quando estudamos as palavras Dele e vem a comparação com os lírios do campo e as aves que, sem se preocupar com o amanhã, ostentam sua beleza . Cristo já se preocupava na época com um problema que aflige as pessoas nos dias de hoje, que é a preocupação e a ansiedade de conseguir cada vez mais bens, chegando ao exagero de transformar as vidas em um busca insana pelas conquistas materiais que nunca se completam , pois sempre surgirá algo mais caro, mais moderno, e essa ansiedade de possuir, passando por cima do amor, da convivência com a família, com os amigos, vai levar a um estado de eterna frustração. Quando então pensamos em como conseguiremos ter uma vida plena com realizações materiais e também com realizações espirituais, a resposta vem também Dele quando nos diz que a busca pela riqueza espiritual terá um retorno pelo nosso Pai Celestial que nos agraciará com o suficiente para uma palavra importante em nossas existências, que é a qualidade de vida, que se resume numa vida em que você possa ter seus momentos de busca interior pela religião, pelas técnicas de meditação (quando procuramos a paz interior), pela yoga, quando sentimos nossa união com o universo e aquele tempo precioso, em que procuramos na natureza e nas pequenas coisas da vida as riquezas simples mas tão fascinantes (como as aves e os lírios do campo). A palavra que me vem para nossa felicidade é a busca do conhecimento e o entendimento e dosados pelo equilíbrio de saber que tudo que fazemos, num sentido de busca, tem que ter seu limite no ponto que não nos cause angustia e sim a necessidade evoluir nossa alma.

sábado, 5 de abril de 2008

Amigos


João- Cap 15, 14 a 16

“Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu pai”.


Viajar é bom, mas o retorno para casa sempre é melhor. O conforto do nosso cantinho, os cheiros, os sabores, tudo passa a ter um significado ainda maior na volta ao lar. Pena que com o tempo, envoltos na correria do dia-a-dia, passamos a dar menos valor para o simples, como poder estar ao lado daqueles que amamos, repousar a cabeça no colo da mãe, jogar conversa fora com aquele amigo que sempre ouve nossas bobeiras, rolar no chão com seu animalzinho de estimação. Estar com aqueles que nos aceitam exatamente como somos, com nossos sonhos extravagantes, ou com nossa inabilidade de sonhar, é uma verdadeira dádiva de Deus. Os que nos amam de fato torcem por nós, desejam verdadeiramente que “rodemos a baiana” e possamos dar a volta por cima, mas não nos abandonam se não conseguimos agir dessa forma e desanimamos frente aos obstáculos.
Dois meses fora do país me fez sentir saudades imensas de parentes e amigos e uma ânsia por estar mais com eles, de recuperar o tempo perdido. O mesmo ocorre com nosso relacionamento com Deus, sem que percebamos. A distração que advém de nossa vida corrida, afasta-nos da espiritualidade, comprometendo nossa intimidade com Cristo. Logo, um vazio toma conta de nós, de forma inconsciente. Não sabemos identificar o que está faltando, e não raro procuramos preencher este vazio com futilidades. Já ouviu aquela história da moça que perdeu o namorado e foi ao shopping fazer compras para compensar a tristeza? É mais ou menos isso que acontece...
Reencontrar aquela pessoa que não sabemos muito bem o motivo pelo qual nos afastamos dela, mas quando nos reaproximamos fica muito claro em nós que temos que arrumar um jeito de estarmos mais próximos, traz-nos um conforto e uma alegria de uma dimensão muito grande. A partir dessa comparação, podemos avaliar o grau de amizade do Cristo com toda a humanidade. Ele chamou-nos de amigos, no grau mais profundo de intimidade que possamos imaginar. Essa amizade que Jesus estabelece com cada indivíduo permanece, ainda que nos afastemos dele. Não se trata de um relacionamento superficial, que gera raiva ou ressentimento do outro que não o procurou, que não mandou notícias, por exemplo. O grau de amizade que Cristo estabelece conosco é máximo, é de um relacionamento cheio de amor, cheio de compaixão, de aceitação. Paciente, ele te espera, e muitas vezes também te procura, bate a sua porta, mas você sempre está envolto em seus problemas e não pode escutar. Daí, advém um certo vazio dentro de nós, e passamos a viver sem um sentido maior, sem uma razão que nos motive. E esse sentimento de separação é a causa de nossos maiores sofrimentos.
Assim, não faça viagens por lugares distantes para só depois sentir saudades e correr atrás do amigo mais importante de sua vida. Cuide dessa amizade, com um zelo exagerado, com atenção extrema, com carinho demasiado. Pois estou falando da relação de amizade mais pura que o ser humano pode experimentar, e que fomos presenteados com ela a partir de uma escolha feita pelo próprio Cristo, que assim disse: “- Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça”. Será que manter um amigo assim do lado não vale a pena? Pode apostar que sim!
Namastê!

Meditação e Espiritualidade

por Érison Palma
Quando jovem tive a oportunidade de conhecer , praticamente ao mesmo tempo ,as técnicas de meditação e a chance de me aprofundar nos ensinamentos do Cristianismo, através de encontros de jovens sob orientação da igreja Católica (na época chamava-se Shalom e depois na formação de lideres , o Encontrão). Munido destes fundamentos, fui determinado a encontrar minhas verdades. A principio fiz o caminho correto, participando de grupos de discussão , tentando colocar minhas experiências , procurando entender o que significava a fundo o pensamento Cristão e usando a meditação para me ajudar a encontrar a paz necessária para um melhor desempenho. Foi aí que me vi numa situação estranha, em que os outros componentes dos grupos se mostravam fechados a sair de certas regras impostas pela igreja que não permitia que se tentasse colocar questões fora do determinado em “cartilhas” de procedimento. A principio me senti deslocado , questionando se eu estaria errado. Fiz então um processo de interiorização e também de isolamento em que fazia longas caminhadas pelos campos, lia a bíblia, meditava e escrevia sobre minhas experiências sensitivas. Frequentava missas em horários em que iam só pessoas interessadas na oração que a missa contém e não o que o vizinho está vestindo. No final deste processo que no futuro gostaria de explicar melhor, descobri a palavra que até hoje uso em minha profissão de médico: equilíbrio. A verdade de você ser feliz está em procurar em todas as coisas um ponto de equilíbrio para que possa aproveitar e absorver todos os momentos sem preconceitos e tirar disso a saúde física e mental. Fico pensando ,então, que a união da religiosidade que nos leva a sentir a presença e a importância de Deus através de seus “mensageiros espirituais”, quer seja Cristo ou Buda ou outros iluminados , convivendo em harmonia com as técnicas de espiritualidade da meditação e do yoga, são bases para que possamos tornar este mundo melhor , não em grandes atos, pois estes dependem dos poderosos (vide o sofrimento dos tibetanos que são oprimidos por uma China intervencionista , que outros grandes não querem desagradar) mas sim em pequenos e gloriosos atos, que unidos por corações abertos espiritualmente, possam sacudir esse mundo (no bom sentido).

quinta-feira, 27 de março de 2008

Em Londres 2



Ditos do Padres do Deserto

“Qual é o caminho estreito e apertado?" (Mt. 7,14). Ele respondeu: O caminho estreito e apertado é este, controlar seus pensamentos e despojar-se de sua própria vontade por amor de Deus.”

"No começo, há luta e muito trabalho para os que se aproximam de Deus. Mas, depois disso, há uma indescritível alegria. É como acender uma fogueira: no início há muita fumaça e seus olhos lacrimejam, mas depois você consegue o resultado desejado. Assim devemos acender o fogo divino em nós mesmos, com lágrimas e esforço."


O Caminho é com lágrimas, o caminho é com esforço, o que torna a passagem tão estreita. Nos dispomos a seguir o Cristo, mas sempre com reservas. O fato é que, na verdade, não queremos nenhuma forma de sofrimento. Não queremos desapegar completamente, só de forma superficial. “Deixa tudo e segue-me”- não paramos para refletir a complexidade das palavras do Cristo.
Esta viajem, longe de meu País, trouxe-me uns “insights” de que as palavras acima dos Padres do Deserto são de uma exagerada veracidade. Não que seja condição para seguir o Cristo a luta, o trabalho, a dor, mas estarmos cientes de que na trajetória haverão pedras é de suma importância. Adoro uma frase que ouvi do padre Fábio de Melo: “Se você não puder modificar um fato, deixe que o fato te modifique”. A frase é linda e de efeito, todavia aplicá-la na vida é muito difícil. Porque esse fato imodificável vem acompanhado de dor e abraçarmos o sofrimento como circunstância transformadora de personalidade é desafiador, em termos práticos.
Bem, mas tudo isso vem envolto com muito mistério e tenho certeza que só a Graça Divina pode aflorar nosso discernimento no caminho espiritual.
Nossa viajem chegou ao fim, todavia tudo que experimentamos aqui, não. Passar por lugares sagrados, meditar num mesmo lugar que uma pessoa santa meditou, essas coisas ficam meio impregnadas na gente. O mais curioso é que esta experiência influencia-nos demais, mas não conseguimos explicar exatamente de que forma. Como já falei, você volta da Índia e fica ainda digerindo tudo que aconteceu, digestão esta que talvez leve anos, ou uma vida inteira. Mas tenho certeza que muitas respostas hão de surgir com o tempo. É sempre tudo uma questão de tempo, ou de admitirmos que para Deus não há tempo algum, só o momento presente, que experimentarmos Deus de fato na nossa vida pode acontecer no próximo instante, na sua próxima inspiração, na minha próxima expiração...
Gostaria de agradecer a todos que viajaram virtualmente conosco, dando-nos uma palavra amiga, compartilhando idéias e experiências, obrigada!

Dia frio “com neve e tudo” em Londres


Em Londres 1


Um dos objetivos da passagem por Londres era fazer aulas de yoga com Giovanni Felicioni. Ele é rolfista, portanto, conhecedor em extremo do corpo humano, e professor de yoga há muitos anos. O Carlos já foi aluno dele enquanto morou aqui em Londres e já havia me falado muito bem a seu respeito. Já com boas referências, posteriormente tirei minhas próprias conclusões: Giovanni pode ser resumido numa simples palavra: poesia. Ele envolve a todos com seu jeito lindo de ser e de se expressar, totalmente espontâneo, sem preconceitos. Quando ensina, lembra um pintor investigando uma mistura de tintas numa tela em branco. E, no final, gosta daquilo que fez.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Agradecimentos ao Kripa Foundation - Vasai


Textos sagrados, como o Upanishads nos ensinam a receber bem uma visita como o próprio Deus. São Bento também diz o mesmo. Na Bíblia, temos o ensinamento de Cristo dizendo que por onde passarmos e formos bem recebidos, permaneçamos, do contrário, que tiremos a poeira das sandálias e sigamos adiante. O Kripa, em especial através da pessoa de seu diretor, Bosco, colocam em prática, de uma maneira muito simples, o que os textos sagrados nos ensinam. A comida e as instalações são boas, mas o que nos cativa, na verdade, são os vários sorrisos amorosos que recebemos por todos os lados. Parece que o amor do Padre Joe Pereira e do Bosco não cabem dentro deles e contagiam a todos, cada funcionário, cada interno que aqui vem em tratamento. Nós, aqui, como visitas, não só nos sentimos em casa, mas também recebemos uma atenção amorosa através de gestos muito simples, como uma mãe, que recebe o filho nos braços. É assim que se pudéssemos ficaríamos por mais tempo e esperamos um dia poder retribuir o que nos foi dado. Namaste.