
Estamos num novo ashram: Ananda Ashram. Fica em frente ao que estávamos, quem administra o lugar são duas freiras, irmãs Maria Luiza e irmã Marcila. Muito amorosas e atenciosas, foram elas que cuidaram de mim quando fiquei doente, em especial a irmã Maria Luiza. Ela estava tratando de mim com duas refeições, o café-da-manhã e o jantar. Agora que estamos hospedados aqui, temos direito também ao almoço, que foi a comida mais gostosa que experimentei por onde passei na Índia, sem pimenta absolutamente. Ah, estou no céu.... Fora isso, o clima aqui é muito melhor, as irmãs tem uma energia especial e a espalham no ambiente, muito alegres e sorridentes, fazem bem só com o olhar. Acomodaram-nos numa cabaninha retirada da entrada, bem silenciosa, quartos e banheiro limpo, até roupas de cama nos ofereceram, artigo de luxo na Índia. Conhecemos há pouco o templo delas, pequeno, mas aconchegante, perfeito para meditação. E em meio à simplicidade tão diferente de nosso cotidiano no Brasil, tem-se a certeza de como complicamos demais nossas vidas. Fico olhando para minha mala e imaginando a cara de indignação se uma indiana a visse: creme para os cabelos, para os pés, para as mãos, espelho, pinça, esmalte, filtro solar, papel higiênico, absorvente íntimo.... lembro-me a correria que foi lembrar de providenciar tudo isso, e ainda não trouxe mais um monte de coisas que queria só porque nossa bagagem não podia passar 20 quilos cada um! Assim, é fato como a vida moderna tem seus truques, pois escondido em meio a um conforto que a duras penas conquistamos, vem na bagagem todo um stress de brinde. A maioria das mulheres indianas não tem espelho, logo, olha o tempo que economizam! Umas duas ou três mudas de roupas, sapatos, no máximo, um chinelinho, cabelos sempre presos. Os homens usam um pano amarrado na cintura (aqueles que trabalham no campo) e ficam sem camisa, os monges um pano mais comprido e uma espécie de bata. É lógico que nas cidades não é assim, estou falando do ambiente rural e ashram, onde estamos situados. Nesse contexto, em meio a tanta simplicidade que conduz a uma paz tranqüilizante, veio-me a certeza que buscamos felicidade de fato onde ela não está. Meu Deus, que facilidade temos de correr atrás do ilusório. Por exemplo, todo mundo sabe que o café coado no coador de pano é mais saboroso, mas insistimos em comprar a cafeteira de última geração. Comida em fogão de lenha, então, nem se fala, não tem mais gostosa! A vida corrida fez-nos desvalorizar o simples, em verdade achamos que o simples toma tempo demais e perdemos a sensibilidade de, se quer, podermos admirá-lo. Depois gastamos esse mesmo tempo nos consultórios médicos e nosso dinheiro
Assim, se tiver oportunidade, não deixe de fazer aquele passeio mais simples, como acampar num lugar isolado, passar um dia na roça, procure a natureza, tenha paciência de ver o espetáculo de um nascer ou pôr-do-sol. De lucro, você fará as pazes consigo mesmo!
Saudades de todos!
0 comentários:
Postar um comentário