quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

No Shantivanam 1


Chegamos finalmente ao Saccidananda Ashram ou Shantivanam. Já no aeroporto, percebemos a dificuldade que enfrentaríamos no Sul da Índia: fala-se mais o idioma local, poucos sabem o inglês, diferente de Bumbai, onde nas escolas as aulas são todas em inglês, as missas também são rezadas neste idioma, enfim, até o vendedor de bananas da esquina se vira e compreende o que falamos. Mas onde estamos, em Thannirpalli, quase ninguém compreende. Tínhamos que pegar um táxi para chegar ao Ashram e as coisas começaram a ficar difíceis: o serviço de táxi do aeroporto não estava funcionando, o mais confiável, porque se paga ali mesmo, não diretamente ao motorista. Aqui na Índia, de uma maneira geral, os taxistas costumam cobrar o que querem dependendo da cara do turista. O pessoal do Kripa já havia nos advertido quanto a isso. Bem, sem outra opção, já tentávamos negociar com bastante dificuldade com um motorista de táxi, quando o Carlos percebeu uma indiana que parecia procurar alguém no aeroporto. O pessoal do Ashram disse-nos que talvez alguém fosse nos buscar, logo, achamos ser ela a pessoa. Abordando-a, respondeu-nos que estava ali esperando o marido, que viria no mesmo vôo que o nosso, mas houve um imprevisto e ele não desembarcou. O Carlos pediu que ela fizesse a gentileza de comunicar-se com os indianos para nós, no que ela explicou que, na verdade, morava nos Estados Unidos e não sabia falar o Tamil. Por conta do nosso desânimo, imagino que ela sentiu compaixão por nós e resolveu ajudar. Disse que estava indo para uma cidade que ficava um pouco depois do Shantivanam e ofereceu nos levar. Foi assim, então, que chegamos.

Alguém que nunca nos viu, resolveu confiar, de forma gratuita. Para nós, ficou o exemplo e um motivo para reflexão: quantas vezes somos extremamente egoístas e perdemos uma excelente oportunidade de ajudar alguém porque vai dar trabalho? Eu confesso que infelizmente em muitas situações agi assim, preferindo como resposta um “não sei”, ou “não posso”, quando nem se quer dei-me ao trabalho de analisar se de fato não podia ajudar. Na maioria dos casos, a verdade é que não queremos, momento em que talvez estejamos perdendo uma grande oportunidade de crescimento interior. A cada gesto amoroso, qualquer gentileza feita traz intrinsecamente o adubo para que nossa semente da sabedoria possa germinar. Todos já a tem dentro, e aqui já não falo da sabedoria adquirida através de diplomas conquistados, mas sim da sabedoria que vem da Graça Divina.

Que possamos aflorar o divino em nós a partir de melhores escolhas. Há sempre uma porta aberta para quem anda no caminho do bem. Vale a pena conferir!
Segue a foto da indiana Piyali, o anjo que apareceu no nosso caminho!



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