Eu não andei muito bem esses últimos dias. Felizmente encontrei uma mãe aqui na Índia, uma mulher com os seus 70 anos, ou mais, muito respeitada, pessoas do mundo todo hospedam-se com ela em busca de paz, tranqüilidade e de uma saúde melhor. Irmã Maria Luíza, como assim é chamada, adotou-me. No mesmo dia em que a procurei, pediu que eu retornasse à noite para começar um “tratamento”, como ela assim chama, e esperou-me com uns comprimidos e uma sopinha deliciosa, que disse ter feito exclusivamente para mim. Desde ontem, estar na presença dela, além de comer suas maravilhosas guloseimas tem sido um dos melhores momentos do meu dia. Eu estava me sentindo muito mal, dores de cabeça, intestino sem funcionar, queimação no estômago, um desânimo, deprimida, foi quando soube que a irmã costuma curar os turistas que ficam doentes aqui na Índia. Explicou-me que por ser muito comum pessoas não se adaptarem com a comida apimentada, ela já espera que pessoas a procurem nesse período de alta temporada na Índia. Ela cuida de todos como seus filhos. Foi o olhar mais amoroso que encontrei na Índia.
Observei com que amor ela dava pela manhã um tipo de xarope para algumas crianças, que fizeram uma filinha para recebê-lo. Ela se parece com aquelas curandeiras que nossas avós nos levavam quando não estávamos muito bem. Passou uma dieta especial para curar meu intestino preguiçoso e proibiu-me de comer outras coisas. Mas a comida dela é maravilhosa e não é nenhum sacrifício segui-la. Iogurte que ela mesma faz, uma mistura de arroz integral doce com cereais, suco de laranja e uma espécie de doce de banana. Ah, também tem café e um pãozinho que se parece com um hambúrguer, que é feito com trigo integral. Bem, isso é só o “breakfast”, ah, e o melhor, sem pimenta nenhuma!
Irmã Maria Luíza é responsável por um ashram vizinho de onde estamos hospedados. Um lugar um pouco menor e mais simples, mais informal, sem uma programação própria e sem um certo rigor, onde os hóspedes ficam mais livres, mas caso queiram, podem participar das atividades do Shantivanam. Percebi que as pessoas costumam procurá-la em busca de mais sossego, ou quando estão doentes. Desconfio que também a procurem ao descobrirem sua maravilhosa comida. Eu, particularmente, fiquei encantada, mas o que mais me tocou foram aqueles olhos doces, aquele sorriso acolhedor. Com seu olhar, ela nos abraça, tal qual uma mãe acolhe o filhinho nos braços. É, com toda certeza, uma pessoa muito especial, daquelas poucas cuja luz interior não cabe dentro, é perceptível aos nossos olhos!
Namastê!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
Olá Carlos e Érika! Saudades de vocês e das práticas no Yogashakti! Gostei demais do blog. Soube dele pelo Ricardo. Li muitos posts. Espero que aproveitem muito essa viagem. Estou acompanhando aqui de Campinas. Forte abraço! Namastê!
Luís Turci.
Lindas experiências. Sinto uma estranha nostalgia de algo que nem sequer vivi, apenas ouvi contar.
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