sábado, 5 de abril de 2008

Amigos


João- Cap 15, 14 a 16

“Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu pai”.


Viajar é bom, mas o retorno para casa sempre é melhor. O conforto do nosso cantinho, os cheiros, os sabores, tudo passa a ter um significado ainda maior na volta ao lar. Pena que com o tempo, envoltos na correria do dia-a-dia, passamos a dar menos valor para o simples, como poder estar ao lado daqueles que amamos, repousar a cabeça no colo da mãe, jogar conversa fora com aquele amigo que sempre ouve nossas bobeiras, rolar no chão com seu animalzinho de estimação. Estar com aqueles que nos aceitam exatamente como somos, com nossos sonhos extravagantes, ou com nossa inabilidade de sonhar, é uma verdadeira dádiva de Deus. Os que nos amam de fato torcem por nós, desejam verdadeiramente que “rodemos a baiana” e possamos dar a volta por cima, mas não nos abandonam se não conseguimos agir dessa forma e desanimamos frente aos obstáculos.
Dois meses fora do país me fez sentir saudades imensas de parentes e amigos e uma ânsia por estar mais com eles, de recuperar o tempo perdido. O mesmo ocorre com nosso relacionamento com Deus, sem que percebamos. A distração que advém de nossa vida corrida, afasta-nos da espiritualidade, comprometendo nossa intimidade com Cristo. Logo, um vazio toma conta de nós, de forma inconsciente. Não sabemos identificar o que está faltando, e não raro procuramos preencher este vazio com futilidades. Já ouviu aquela história da moça que perdeu o namorado e foi ao shopping fazer compras para compensar a tristeza? É mais ou menos isso que acontece...
Reencontrar aquela pessoa que não sabemos muito bem o motivo pelo qual nos afastamos dela, mas quando nos reaproximamos fica muito claro em nós que temos que arrumar um jeito de estarmos mais próximos, traz-nos um conforto e uma alegria de uma dimensão muito grande. A partir dessa comparação, podemos avaliar o grau de amizade do Cristo com toda a humanidade. Ele chamou-nos de amigos, no grau mais profundo de intimidade que possamos imaginar. Essa amizade que Jesus estabelece com cada indivíduo permanece, ainda que nos afastemos dele. Não se trata de um relacionamento superficial, que gera raiva ou ressentimento do outro que não o procurou, que não mandou notícias, por exemplo. O grau de amizade que Cristo estabelece conosco é máximo, é de um relacionamento cheio de amor, cheio de compaixão, de aceitação. Paciente, ele te espera, e muitas vezes também te procura, bate a sua porta, mas você sempre está envolto em seus problemas e não pode escutar. Daí, advém um certo vazio dentro de nós, e passamos a viver sem um sentido maior, sem uma razão que nos motive. E esse sentimento de separação é a causa de nossos maiores sofrimentos.
Assim, não faça viagens por lugares distantes para só depois sentir saudades e correr atrás do amigo mais importante de sua vida. Cuide dessa amizade, com um zelo exagerado, com atenção extrema, com carinho demasiado. Pois estou falando da relação de amizade mais pura que o ser humano pode experimentar, e que fomos presenteados com ela a partir de uma escolha feita pelo próprio Cristo, que assim disse: “- Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi a vós e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça”. Será que manter um amigo assim do lado não vale a pena? Pode apostar que sim!
Namastê!

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